Um sábado de rali!

Relato da participação no VI Rally Universitário de Taquara

Seis e meia da manhã toca o despertador, fazia menos de dez graus e era sábado. Combinação perfeita para um dia de preguiça debaixo das cobertas quentinhas e fofinhas na nossa cama. Levantar da cama não parecia nada vantajoso... mas não, este sábado seria especial! Pela primeira vez nós dois iríamos participar de uma prova de rali juntos.
Vocês sabem, o Carlo é navegador a bastante tempo, e ano passado ele navegou pro Chico durante todo o campeonato gaúcho de rali de regularidade. O que sobrava pra mim? Ser navegadora do navegador? Logo eu que não posso nem ler uma placa enquanto estamos andando de carro correndo o risco de ficar tonta? Sempre achei um mistério quando pegava o T5 (linha de ônibus de Porto Alegre) pra ir trabalhar e via aquelas pessoas sentadas nos bancos que ficam de costas pro motorista, pra mim, só em sentar ali seria tontura na certa, imagina então ler um livro como eu via as pessoas fazendo? Ficava tonta só de olhar.
Tudo bem, vamos lá, quem sabe dá certo né? Convidamos o Pablo pra ir junto e ser nosso "zéquinha", se eu ficasse muito tonta ele assumiria meu posto.
Levantamos, tomamos uma xícara de café quentinho, organizamos as coisas dentro do carro, GOPRO, camera fotográfica, água mineral, planilha, canetas, casacos, alimentos não perecíveis para a inscrição... estávamos prontos pra pegar o Pablo e seguir até Taquara, onde o rali nos esperava.




Seguimos rumo a Taquara pela BR116 pra encontrar a Daiana e o Mako que também iriam participar pela primeira vez de um rali, como os dois são japoneses fica muito difícil de saber o nível de ansiedade, pois são muito contidos. Mas eu acho que deviam estar nervosos, assim como eu!
Chegamos no centro de Taquara, estacionamos os carros na praça onde estava acontecendo todo o evento. Taquara é uma cidade linda, limpa e cheia de pessoas bonitas.
As inscrições estavam sendo feitas na praça,  lá pegávamos nossos adesivos, camisetas e entregávamos os dois quilos de alimentos por participante.
Na hora da inscrição aconteceu a primeira coisa engraçada do evento quando as gurias que estavam entregando as camisetas perguntavam qual o número de camiseta que a gente queria, assim que o Pablo disse que queria uma camiseta G uma delas falou: "Até que enfim uma camiseta G, eu gosto de homem que usa G!". Foi muito engraçado na hora, na verdade o que ela queria dizer era que não achava nada bonito ver homens usando camisetas M, que ficavam apertadinhas como as famosas baby looks femininas. Foi engraçado!



Ficamos ali em volta dos carros, aproveitando o sol que com o passar das horas da manhã estava ficando cada vez mais quente, e toda a roupa que tinhamos colocado foi guardada dentro do carro. Não levamos cuia e garrafa térmica, mas dentro das atrações do evento tinha uma banca da erva-mate Ximango oferecendo erva e água quente para quem quisesse. Não é o primeiro evento esportivo que vemos isso, e sempre achamos muito legal! Se o Jairo estivesse lá, estaria bem tranquilo tomando um mate na banca da Ximango!



Um pouco antes do briefing a APAE fez uma apresentação muito bonitinha em agradecimento aos alimentos doados!
A hora da largada seria as 11:oo horas da manhã, e os carros sairiam de acordo com seus números, ou seja: o carro 01 largou as 11:01, o 02 as 11:02 e assim por diante. Nosso número era o 28, portanto largaríamos as 11:28!



Logo na largada poderíamos ter causado o fim da prova! A Land é alta e com o bagageiro fica mais alta ainda, normalmente precisamos de pelo menos 2,10 metros de altura para passar, e a organização do evento tinha um portal na largada dos carros que deveria ter 1,80 de altura! Graças a ajuda das gurias que marcavam o tempo na largada, conseguimos passar. Elas levantaram o o portal inflável e nós seguimos com nossa planilha para uma longa tarde pelo interior de Taquara!


Na parte da manhã (antes da parada para o almoço), nos dividimos, eu e o Pablo, passando as informações pro Carlo. Como tudo era novidade, fomos aprendendo aos poucos como funcionava. Entendendo o cronometro, a quilometragem no odômetro, os símbolos da planilha e o tempo certo de passar a informação. Depois da parada do almoço seguimos de maneira diferente, agora o Pablo aproveitou pra tirar mais fotos e eu fui "cantando" pro Carlo o que deveríamos fazer. Agora como já estávamos mais confiante um com o outro ficou mais fácil de nos entendermos.


Tivemos dois grandes erros, um relacionado a cones que o próprio Bruno Foscarini disse que quando levantou a prova já ria antecipadamente, sabendo que este era um ponto importante e de grande atenção e que muitos acabariam não entendendo ou passando reto! Aconteceu que nos perdemos, nos afobamos! Na ânsia de entrarmos na curva com os cones no tempo certo acabamos errando tudo! E nosso outro grande erro foi em uma rua que entramos errado e precisamos voltar. Se não fosse estes dois erros, teríamos ficado fácil nos dez melhores! Mas é assim que é um rali de regularidade, a frase "se não fosse por esse erro..." não vale nada nestas provas, pois é preciso ser perfeito e os pequenos erros determinam a colocação final, o quadragésimo sexto lugar! Isso mesmo, 46 de 58!
Mesmo assim, pra primeira vez que fizemos isso juntos foi um grande feito! Éramos um dos poucos grandes em meio a muitos carros 4x2, isso podia intimidar, mas eu estava nos vendo como igual a todos. Claro que um carro 4x4 não sofre tanto como os carros 4x2 quando perdem a tração, mas isso não é tudo, a prova disso é a equipe que estava com a Towner que fez uma excelente prova!
Olhando com os olhos de quem vive a organização de eventos diariamente, e também de quem ajuda a organizar provas de automobilismo, a organização do evento está de parabéns! Foi tudo excelente, os erros foram tão pequenos que mal podem ser percebidos. Um dos pontos fortes deste evento/corrida é o fato de não serem ligados a nenhuma federação e confederação. Com certeza isto dá liberdade para a organização e proporciona que participantes de muitos lugares diferentes fiquem sabendo da prova e queiram participar. Não existe nenhuma imposição de carteiras especiais, basta apenas ter um carro e duas pessoas com vontade correr.
Fiquei curiosa em entender como funciona toda a organização, e pelo que eu entendi o rali todo é organizado pela FACCAT. Alunos da turma de Gestão de Serviços (qual o curso? Administração?) que organizaram a prova. O trabalho deles foi impecável, se preocuparam em receber e orientar muito bem as pessoas. Se alguém que organizou ler este post, ficaremos muito felizes em saber mais sobre todo este trabalho e abrimos um espaço aqui para ser contado tudo que vocês quiserem!
O ponto fraco ficou para o locutor com suas piadas fracas sobre o comportamento feminino. Acredito que ele seja um grande profissional, mas todo grande profissional precisa se reciclar, como sempre diz minha avó com seus 80 anos de idade.


Acho que no final de tudo, tivemos um ótimo sábado, cheio de momentos divertidos. Vimos diversos carros, conhecemos Taquara (não apenas passamos pela cidade, como de costume), proporcionamos um dia de diversão pros amigos Mako e Daiana, o Pablo conseguiu mesmo com todo o balanço que a Land faz pro passageiro que vai atrás tirar ótimas fotos, vimos lugares lindos e gente feliz nas janelas que pareciam estar gostando dos carros que passavam.


Obrigada para todos os envolvidos na organização do evento, nosso sábado foi inesquecível! Certamente participaremos do próximo!

Vejam o vídeo com algumas das fotos e imagens da GoPro que estava fixada dentro da Land!


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